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Artigo: INDEPENDENTISMO
Área: Relações internacionais
Autor(es): ERON Z. COELHO | | | | | | | | |
 
O ano de 2008 mal chegou na metade, e já está marcado pela recente “onda de independência” que vem varrendo o mundo todo. Regiões de Estados soberanos se rebelam contra o governo, buscando liberdade política e econômica, autonomia, enfim, um Estado próprio.
O Estado moderno é composto por: território, povo e soberania; são exatamente esses 3 conceitos que todos esses grupos separatistas buscam. Hoje em dia temos vários exemplos nesse sentido: a Irlanda do Norte luta por sua independência do Reino Unido, através do grupo IRA; os bascos, grupo que habita o norte da Espanha e querem um Estado independente também, realizando oposição ao governo espanhol através do grupo ETA, etc. Mas atualmente, 2 regiões marcadas por conflitos separatistas vêm chamando a atenção mundial: Kosovo e Tibete. Em ambos os casos, a busca da independência está sendo marcada por batalhas violentas e muito derramamento de sangue.
Em Kosovo, a maioria albanesa (cerca de 90% da população do território) declarou o território como um país democrático, soberano e independente da Sérvia em 17 de fevereiro desse ano, o que gerou na população kosovar um pouco de esperança, tendo em vista que os conflitos na região duram mais de uma década e somam milhares de mortos; sem contar os níveis extremos de pobreza que os kosovares enfrentam, devido ao altíssimo índice de desemprego (chega a cerca de 60%). O que para um lado é um alívio, para o outro é o início de uma crise política terrível, o que levou o primeiro ministro sérvio a resignar em março. Além da Sérvia, vários outros países – como a China, Espanha, Grécia – são contra a atitude de Kosovo. Até mesmo a própria ONU não aceitou tal atitude, mas mesmo assim as grandes potências como os Estados Unidos, França e Alemanha apoiaram a independência.
A Rússia declarou não apoiar o país balcânico por temer que esse caso seja usado por outras regiões separatistas do mundo como precedente. E aproximadamente 1 mês depois, foi exatamente isso que aconteceu, mas agora na China: protestos tomam conta do Tibete, território sob domínio chinês por mais de 50 anos. Tibetanos não concordam com os argumentos do governo chinês de que o Tibete sempre foi território da China; sua população sempre considerou o Tibete como um país independente até que o território foi anexado por Mao-Tsé Tung em 1949. 10 anos depois da anexação houve um levante contra a invasão chinesa, e centenas de tibetanos foram mortos. Esse levante aconteceu no dia 10 de março de 1959. Exatamente 49 anos depois, em 10 de março de 2008, os protestos realizados por tibetanos – relembrando os mortos do levante tibetano – foram duramente reprimidos, o que levou a uma revolta geral da população. Segundo o governo no exílio (o Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibete vive exilado na Índia), a China ainda considera o Tibete como colônia, declarando que o Tibete não é parte da China; a Região Autônoma na verdade pertence à China, motivo que justifica a vontade de se livrar dos laços políticos e econômicos impostos pelo país comunista.
Agora, após esses 2 eventos, o mundo se divide entre os que são a favor da independência de minorias étnicas, e os que são contra. Por um lado, se pensa: como viver sob um governo que você considera ilegítimo, obedecendo leis que não foram feitas pensando no grupo do qual você faz parte, sendo discriminado, talvez até agredido? Porém por outro lado, quais minorias étnicas podem obter independência? Que critérios devem ser aplicados para julgar se um determinado grupo merece ou não sua independência? Isso não levaria a uma total anarquia internacional?
É uma situação complicadíssima nas Relações Internacionais; cada caso deve ser estudado separadamente, analisados a fundo, levando em conta ambos os lados. Mas em qualquer caso de independência, há um ponto em comum: como conseqüência de um desmembramento, ambos os lados acabam perdendo poder político e também muito de seu poder econômico. É difícil de imaginar que a maioria das regiões do mundo que querem se separar de seu Estado original, consiga sobreviver no cenário internacional, e ter a mesma força de quando ainda era dependente.
Por esses motivos, algum órgão internacional deve interferir em tal atitude. Hoje em dia, a ONU é o órgão que está melhor preparado para tal interferência. E para resolver o impasse estatal, é possível se basear no setor privado. Por exemplo, em todos os bancos de investimentos a área de Research é especializada em analisar, dar assistência e aconselhar o cliente para que o mesmo tome a melhor decisão financeira. E é exatamente essa atitude que deve ser tomada pela ONU; para cada caso deve-se formar um grupo de analistas internacionais, neutros, mas que estejam totalmente a par da situação do Estado e da região que deseja a independência. Tal grupo poderá analisar todas as vantagens e desvantagens de um desmembramento, e dessa maneira, aconselhar ambos os governos a tomar uma decisão que seja benéfica para os dois lados. Essa seria a maneira mais correta e diplomática de se resolver problemas dessa magnitude. Talvez ao perceber que os resultados da liberdade podem não compensar toda a luta, o grupo separatista volte atrás, e tente chegar em um acordo com o Governo Estatal. Victor Hugo já dizia que tudo que aumenta a liberdade aumenta a responsabilidade também. Enfim, o resultado de uma separação pode ser desastrosa; cada território que ganhasse sua independência se tornaria mais um Estado débil ou falido. Será esse o preço a pagar pela liberdade?
 
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