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Artigo: A mídia brasileira e a construção da informação alienada
Área: Relações intenacionais
Autor(es): Adriano | | | | | | | | |
 
Por décadas, a grande Besta Negra dos intelectuais tem sido o Sr. Roberto Marinho. Sejam intelectuais de esquerda ou de centro (de direita quase não há), ativistas ou acomodados, artistas ou acadêmicos, ninguém gosta desta figura sinistra. Uns consideram-no o Doutor Fausto, outros o próprio Mefistófeles. Atribuem-lhe ciladas traiçoeiras, ardis maquiavélicos, total falta de escrúpulos, ligações suspeitas, oportunismo despudorado, farsas dissimuladas, imenso poder tentacular, como um polvo; sobre ele chegam a correr lendas urbanas que o dão como falecido e secretamente substituído por um testa-de-ferro, sob o comando de poderes ocultos. Foi ele o diabólico criador da Rede Globo de Alienação, que controlaria a mente de milhões de brasileiros e os manteria dóceis e obedientes à elite dominante. (Disponível em: )

Para falar de mídia no Brasil, necessariamente temos que começar com os grandes grupos que controlam e oligopolizam as relações midiáticas e o poder na Brasil. São eles: Marinho (Globo), Abravanel (SBT), Saad (Bandeirantes), Civita (Abril) e Frias (Folha).

Vamos nos atentar a dois deles, Civita e Marinho, que exercem um poder de manipulação tão extenso que mudaram (e ainda mudam) muitas vezes o cenário político nacional, conforme ditarem seus anseios. Foi assim com o golpe militar, com o movimento de diretas já, e outros fatos importantes que veremos a seguir. Iniciaremos com o Grupo Marinho e depois o Grupo Civita.

O documentário de 1993 intitulado, “Muito além do Cidadão Kane”, de Simon Hartog, que acabou sendo proibido no Brasil, discute o poder da Rede Globo. Segundo Simon, a TV Globo foi ao ar no Rio pela primeira vez em 26 de Abril de 1965, logo após o golpe militar, todavia pouco tempo atrás, em 1962, Roberto Marinho assinou um contrato de colaboração entre a Globo e o grupo americano Time-Life. O acordo dava a uma empresa estrangeira interesses em uma empresa nacional de comunicações e, portanto era contra a lei nacional. Entretanto Roberto Marinho recebeu vantagens de seis milhões de dólares sobre o acordo e o judiciário brasileiro nada fez para impedir o contrato.

A historia de manipulações da Globo é extensa, contudo separamos alguns, como o de 1981, quando uma bomba explodiu em um carro no estacionamento de um centro de convenções. Um grupo de rock tocava para cerca de vinte mil pessoas no local e os militares disseram que a bomba havia sido colocada por extremistas de esquerda, porém a explosão foi comprovadamente no colo de um soldado, que morreu dentro do carro de outro militar, esse que ficou gravemente ferido na explosão. Na primeira edição do noticiário da Globo via-se claramente outra bomba, não detonada, dentro do carro. Quando a notícia foi ao ar novamente, a segunda bomba havia desaparecido na edição, e nunca mais foi vista em qualquer outra exibição sobre o caso.

A Globo sempre apoiou o regime militar, podemos comprovar com a frase do então General-Presidente Médici que inaugurou a televisão em cores em um grande festival, dizendo: “Sinto-me feliz todas as noites quando assisto o noticiário” ”Por quê?” “Porque no noticiário da TV Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz... É como tomar um calmante após um dia de trabalho...”

“Durante as duas décadas da ditadura militar no Brasil, Roberto Marinho ficou riquíssimo e era talvez o civil mais poderoso do país. Com o fim do regime militar seu domínio cresceu ainda mais, além de qualquer regulamentação ou controle, é odiado no mundo, mas muito temido no Brasil, pelo fato de controlar milhões de brasileiros através do vicio global”. ("Muito Além do Cidadão Kane”).
Na década de 1980, os telejornais da Globo não podiam mais ignorar os protestos sociais e algumas manifestações contra o governo foram apresentadas. Mas os jornais da Globo tinham uma maneira maquiadora para apresentar os fatos. O Jornal Nacional sempre era aberto com o locutor dizendo assim: “Índice mensal da inflação foi de 40%. Caderneta de Poupança vai render 40%”. Quer dizer, ela tirava o peso negativo do índice da inflação, e transformava em uma coisa positiva. Logo, os jornais da Globo iriam adquirir extrema maestria para maquiar os fatos da realidade nacional, em especial quando isso é de seu interesse político e financeiro. Outros exemplos são: A cobertura tendenciosa da TV Globo sobre o movimento das Diretas-Já, em 1984, quando chegou a noticiar um comício do movimento como um evento do aniversário de São Paulo, o auxílio dado à tentativa de fraude nas eleições cariocas de 1982 para impedir a vitória de Leonel Brizola e edição tendenciosa do debate Collor/Lula em 1989.
Segundo o periódico “Princípios” de Set/2007, o faturamento do Grupo Globo, excluindo as filiais, foi de R$ 4,3 bilhões, cerca de três vezes o faturamento Record e SBT juntos. O que prova a dimensão financeira da Rede Globo. Podemos comprovadamente notar que a cobertura “global” sobre os fatos sempre visou seus interesses políticos e financeiros, os interesses dos grandes grupos de capitais, além de defender juntamente com os militares a política externa Estadunidense no cenário político da Guerra Fria.
“Não dá mais para silenciar diante dos abusos da Editora Abril, que se sente acima do Estado de Direito, da democracia e da sociedade civil. A omissão é quase um atestado de culpa”. (Borges, Altamiro, 16/05/2006).
Deixemos de lado a Globo para falarmos de outro meio de comunicação igualmente manipulador e alienista, a “Revista Veja”, do grupo Abril que simboliza uma das expressões mais atrasadas e reacionárias do jornalismo praticado pela "grande" imprensa, que distorce a realidade, criminaliza os movimentos sociais e tenta desmoralizar quem defende a democracia e os interesses do cidadão. Em uma das suas matérias recentes, quando essa revista acusou o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva sem prova, de possuir contas secretas no exterior. De inicio, Lula protestou: "A Veja não traz uma denúncia, ela traz uma mentira. A Veja tem alguns jornalistas que estão merecendo o prêmio Nobel de irresponsabilidade. Eu não posso comparar isso a jornalismo. Não acredito que dentro da Veja tenha uma única pessoa com 10% da dignidade e da honestidade que tenho". Demonstrando sua insatisfação diante das inverdades desta revista, Lula disse: "Não posso admitir isso. É uma ofensa ao presidente da República, ao povo brasileiro e eu acho que essa prática de jornalismo não leva o país a lugar nenhum. A Veja vem assim já há algum tempo, não é de hoje não. Mas ela chegou ao limite da podridão da imprensa. Não sei se um jornalista que escreve uma matéria daquela tem a dignidade de dizer que é jornalista, ele poderia dizer que é bandido, mau-caráter, mal-feitor, mentiroso. Os leitores pagam a revista, são induzidos a assinar e não merecem a quantidade de mentiras que a Veja publica". As edições são produzidas com objetivos político-eleitorais e tem como intento principal à classe A e B da sociedade.
Em outro episódio importante, com o advento da nacionalização do gás pelo presidente boliviano Evo Bolívia, esta fantoche do governo dos EUA visou acabar com a tradicional política de boa vizinhança da América do Sul. Para Gilberto Maringoni, ácido crítico da mídia, "a Veja, nessas horas, supera qualquer parâmetro racional. Desejosa de fracionar a aliança entre governos que rejeitaram a ALCA e que tentam outro tipo de integração, não subordinada a Washington, irá espernear cada vez mais". Já o jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, conclui que a Veja é "um caso clássico de fascismo que nossa imprensa - apesar das mazelas - não merece exibir". O ódio da revista Veja contra os movimentos e ações das esquerdas em geral têm vários motivos. O primeiro é o de classe. A Editora Abril defende com voracidade os individualistas interesses da poderosa burguesia nacional e estrangeira. Ela não aceita a hipótese de um dia perder os seus privilégios de classe. Teme qualquer acúmulo de forças dos setores populares. Nunca engoliu a chegada ao Palácio do Planalto de um ex-operário, ex-sindicalista, ex-grevista. Como afirma o teólogo Leonardo Boff, é um problema de "cultura de classe". Afora os possíveis apoios "não contabilizados", que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, a Editora Abril doou, nas eleições de 2002, R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um “exemplo” da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, depois utilizado pelo próprio PT.
Vejamos a seguir uma matéria de Altamiro Borges divulgada no site português Galiza Cig, em 11/09/2006:
Na noite deste sábado, no caixa de um supermercado na região central de São Paulo, uma típica senhora da alta classe média, vestida no pior estilo da perua decadente, pega a última edição da revista Veja. Na capa, a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão, e a manchete: “Ela pode decidir a eleição”. No texto-legenda, a descrição: “Nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. A dondoca burguesa, indignada, tenta puxar conversa, em plena militância eleitoral. “Que absurdo. Onde já se viu essa gente pobre decidir o destino do país. Eu odeio o Lula. Deus nos livre dele”.
O episódio, por mais repugnante que possa parecer, é verídico. Dá ânsia de vomito, mas é real, infelizmente. Ele revela o grau exacerbado de preconceito da burguesia e de parcelas da “classe média” contra o presidente Lula e por sua opção, mesmo tímida, de priorizar os investimentos nas áreas carentes. A extremada reação da madame deve ter sido exatamente a orquestrada pelos conspiradores da Editora Abril, asseclas do golpista-mor Roberto Civita. O objetivo desta e de outras edições da revista Veja é o de criar um clima de ódio entre as camadas médias contra o atual governo. A publicação não visa informar, mas sim manipular e gerar preconceitos. E a perua nem havia lido a revista – bastou à capa para liberar seus piores instintos de classe. As páginas internas destilam veneno; são todas editorializadas e não informativas e imparciais. Num texto leviano, por exemplo, esta edição novamente vincula os petistas ao crime organizado. Sem provas, afirma: “Fica evidente a simpatia do PCC pelo PT, bem como a aversão da organização pelo PSDB” – o que mereceria um imediato processo judicial do partido contra a Editora Abril. Noutro artigo, não vacila em citar a China – seu eterno diabo comunista – para atacar o “tímido” crescimento da economia brasileira, por culpa do “populismo e do corporativismo” do governo Lula, que “criam um ambiente avesso à competição e a inovação”. Haja descaramento!
No advento da violação ao território equatoriano, pelas Forças Armadas do governo da Colômbia, que resultou na morte de Raul Reyes número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC’S), a mídia nacional nas capas da revista Veja, pouco se atentou para os princípios das Relações Internacionais, onde a soberania dos Estados está acima de qualquer interesse internacional. Segue abaixo um trecho da edição de 12 de março de 2008:
“O destempero verbal é uma das características dos caudilhos fanfarrões e, na maior parte das vezes, não deve ser tomado ao pé da letra, a saraivada de insultos e ameaças disparadas por Hugo Chavez contra o governo da Colômbia pertence a uma dimensão mais perigosa, aquela na qual trafega o projeto de poder totalitário da esquerda radical na América Latina, único lugar no mundo onde essas sandices que envenenaram o século XX ainda parecem ter algum fôlego”.
(Veja, 12/03/2008)
Como podemos notar, é claro o discurso ideológico nas linhas vejistas, contudo mais do que afirmar, a Revista Veja, transforma as tensões das Relações Internacionais em “briga de vizinhos”, quando na verdade a invasão de um território, a luz do Direito Internacional Público, é inaceitável. Não se pode de maneira alguma fomentar e incentivar tal ação. Deve-se na verdade, censurar explicitamente tal atitude. A Veja apoiou claramente a violação o território do Equador, acusando inclusive o presidente Rafael Correa de financiarem as FARC’S. Segundo esse periódico, os “terroristas” devem ser combatidos de qualquer maneira, e que se os governos não o fizerem à Colômbia tem competência para tal.
Se pensarmos como a Veja e o presidente colombiano Álvaro Uribe, as linhas invisíveis que separam político e jurisdicionalmente os Estados, são inferiores aos interesses dos governantes. Imaginem a anarquia generalizada que tal pensamento poderia, em nível extremado, ocasionar. No episódio, é certo concordarmos que o presidente venezuelano foi imprudente e precipitado, afinal seu território não foi agredido, entretanto quem poderia garantir que as tropas colombianas não invadiriam outro país próximo? Hugo Chavez usou de maneira equivocada e ingênua o velho e conhecido ditado “A melhor defesa é o ataque”
A revista Veja juntamente com a Rede Globo, insistentemente difundem que o governo equatoriano e o venezuelano apoiavam e davam suporte ao grupo beligerante colombiano, veja bem beligerantes e não grupos terroristas como quer incansavelmente afirmar a Globo e a Veja. Enquanto a Veja, uma semana após o acontecimento, descrevia “As feras radicais”, mencionando, Hugo Chavez, Evo Morales e Rafael Correa, como cães que queriam evitar a derrota do “terrorismo” e promover a guerra no continente, demonstrando claramente seu apoio ao “amigo democrático Álvaro Uribe”, outras revistas e jornais do mundo inteiro “rejeitaram o ataque preventivo da Colômbia”, como descrevia a Carta Capital na mesma semana em suas páginas. A Carta fez ainda uma reportagem completa sobre o fato, só que bem diferente do Grupo Abril, pois expôs as mentiras do governo colombiano, esse que, aliás, só recebeu apoio de seu forte aliado político-comercial, George Bush, presidente dos Eua. Os Estados Unidos, segundo a Carta Capital de março de 2008, financiou toda a tecnologia de ponta, usada pela Colômbia no ataque a selva equatoriana, sendo alguns desses, sensores capazes de detectar calor humano, bombas de alta precisão, etc. Nota-se de inicio a posição indignada da Carta em relação ao fato. Foi contra Chavez e a Colômbia, o que seria a atitude mais correta. A maioria dos meios de comunicação sérios do mundo tomaram ciência de tal postura e igualmente a Carta Capital repudiaram o ataque Colombiano e recomendaram calma a Chavez; Será que todos eles estavam errados e só a Veja correta?
A construção da opinião nacional pelos meios de comunicação, e sua forma de divulgação pela Rede Globo e a Revista Veja coloca em xeque os princípios da Democracia moderna, limitando aos interesses do capital, a liberdade de informação e discernimento do povo brasileiro. Nada está a salvo do “totalitarismo da comunicação”. Assim como a revista Princípios de setembro de 2007, perguntamos aos governantes:
Até quando seremos alienados e manipulados? Podemos ver claramente que a Rede Globo e o Grupo Abril mudaram inúmeras vezes os fatos, modificando o cenário político nacional, agindo contra os princípios democráticos e deformando comportamentos do povo. As mudanças ocorrerão somente com a revisão da concessão dos contratos para os meios de comunicação. Não se trata de limitar a liberdade e sim de avançaremos na construção da verdadeira democracia, tal qual como prevê nossa constituição.
 
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