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Artigo: Terroristas ou Forças Beligerantes?
Área: Relações intenacionais
Autor(es): Paula | | | | | | | | |
 
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) surgiram no ano de 1964, quando o governo colombiano ordenou que o Exército desmantelasse um assentamento organizado por remanescentes de grupos de esquerda, no centro-oeste do país.
Comandadas por seu fundador Manuel Marulanda, pseudônimo de Pedro Antônio Marín, conhecido por Tirofijo (Tiro Certeiro), tinham como princípio inicial, a implantação de um golpe para tomar o governo da Colômbia, e inserir o socialismo no país.
No início as Farc eram apenas uma guerrilha movida pela experiência cubana, mas com o passar dos anos o grupo se envolveu com o narcotráfico para conseguir dinheiro, a partir de cobrança de impostos dos barões da droga, até o ponto em que passaram a controlar todo o processo de produção e comercialização de cocaína.
Com um número estimado de cerca de 10 mil guerrilheiros, dentre eles, 20% com menos de 21 anos de idade, embrenhados na selva, sem contato com a família e utilizando nomes de guerra, as Farc mantém 774 pessoas seqüestradas, sendo que 730 foram seqüestradas para fins de extorsão, incluindo menores que são obrigados a lutar pela guerrilha, e 44 são os seqüestrados políticos, que servem como moeda de troca para a libertação de 500 guerrilheiros presos.
As Farc tem se tornado assunto principal na América Latina, afetando vários países, em especial Colômbia e Equador, além da Venezuela que se portou como mediadora das relações entre o governo da Colômbia e as Farc na tentativa de libertação de reféns. O Equador foi diretamente afetado pelas ações do grupo, ao terem a ex-candidata a presidente do país, Ingrid Bittencourt, seqüestrada pelo grupo.
Desde o início de seu mandato, o atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tem sua popularidade em alta ao assumir uma postura totalmente avessa às Farc, investindo em tropas treinadas e contando com ajuda dos Estados Unidos na luta contra a guerrilha, além do fato de considerá-las como terroristas.
E essa é uma questão que divide opiniões nas Américas, e no mundo, seriam as Farc, terroristas ou não?
Estados Unidos, União Européia e a Colômbia afirmam que sim. Enquanto Hugo Chávez, presidente venezuelano, afirma que: “As Farc não são terroristas. São verdadeiros exércitos. São forças insurgentes que têm um projeto político, bolivariano que é aqui respeitado”. O projeto bolivariano, citado, se trata de uma oposição à direita, a implantação de uma sociedade socialista e a menor dependência das grandes potências.
Os Estados Unidos confirmaram sua posição através de seu porta-voz McCormarck que disse: “Pedimos desculpas pela não aceitação do conselho, pois não houve nenhuma mudança substancial na conduta das Farc”. A aversão ao comunismo é a base da posição norte-americana, é a forma deles manterem os comunistas com uma imagem ruim e longe do poder, além de manterem a influência na Colômbia.
A União Européia alega que: “Não se pode retirar um qualitativo de terrorista de um grupo por uma solicitação de um país que não faz parte da União Européia”. Mantém-se fechada, defendendo a mesma posição anti-comunista norte-americana e protegendo a soberania do bloco, perante solicitações estrangeiras.
Como foi dito anteriormente, Álvaro Uribe, presidente colombiano, sempre se manteve firme em relação às Farc e defendia o título de terrorista. Entretanto, a questão levantada por Hugo Chávez, surtiu um efeito surpreendente. Alegando que, se com a alteração, o grupo cooperasse com a libertação dos reféns, seria o primeiro a apoiar o fim da denominação terrorista.
A questão foi discutida, muito mais por um aspecto político do que realmente estudada a fundo. O que se pode dizer que há duas vertentes:
Os que acreditam que pelo fato de se tratar de uma guerrilha armada, uniformizada e com projeto político deve ser considerada como grupo beligerante.
E os que levam em consideração os alvos civis, pessoas inocentes, que foram seqüestradas de maneira atroz e o estado em que são mantidas (acorrentadas pelo pescoço, sem cuidados médicos – apenas medicação – tomando banho em rios).
O projeto inicial das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, em que havia um projeto político, alvos políticos e todo o aparato de uniforme e organização favoreciam a denominação “Forças Beligerantes”, pois havia o objetivo de conquista política. Porém, ao se desvirtuarem, atingindo civis em troca de dinheiro, o envolvimento com o narcotráfico, a forma como mantém os reféns e a visão de lucro de seus membros, tornam o termo “Terrorista”, melhor aplicado.
 
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