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Artigo: Problema alheio?
Área: Relações intenacionais
Autor(es): Andressa Regina Pires | | | | | | | | |
 

Qual a causa da atual crise financeira?Ela se apresenta regionalmente ou mundialmente? O neoliberalismo, corrente que prega a livre circulação de capitais e fluxos financeiros com mínima intervenção estatal, apresentou-se a partir da década de 70, e principalmente a partir da Primeira crise do petróleo de 1973, como determinante de uma necessária e inevitável integração financeira e comercial global. Tendência essa, que foi até mesmo adotada por países de economia mais fechada, dada a cada vez maior interdependência entre as nações.
Essa grande liberdade do fluxo financeiro junto à privatização de varias áreas antes controladas pelo Estado, como comunicação, transporte e energia passaram a caracterizar um sistema mundo onde a estabilidade das economias nacionais, regionais e o próprio crescimento mundial estão à mercê dos interesses das grandes empresas e de seus interesses individuas. Cada vez mais as estratégias nacionais dos governos são embasadas na atração desses fluxos de capitais, o qual, pode tanto levar uma economia ao caminho do triunfo quanto a uma recessão.
Com a adoção desse neoliberalismo ao redor do mundo, o lucro das grandes empresas e de grandes bancos passou a ter como origem o mercado financeiro, ou seja, grande parte do que antes era investido na área produtiva, motor do crescimento, passou a ser então, investimento num mercado de grande vulnerabilidade, porém de resultados mais rápidos e vantajosos. E juntamente como a intenção de obtenção do lucro no mercado financeiro veio também o capital especutalivo caracterizado pela permanência temporária de investimento nos países, determinada, novamente, pelo interesse das grandes empresas.
Essa trajetória mostrou suas garras onde se iniciou, no centro do mundo, na grande potencia mundial e símbolo do capitalismo, os Estados Unidos. Devido à queda na produção houve um aumento do credito estimulando o mercado interno que estava sendo tomado pela importação. A grande aprovação de credito a juros baixos, o que até acaba por não atrair as próprias empresas norte-americanas que buscam lucro em outros mercados, foi o determinante para que as instituições financeiras emprestassem dinheiro em grandes escalas e sem rígidos critérios.
Esses financiamentos também entraram no mercado financeiro por serem transformados em títulos e repassados a outros bancos ao redor do mundo, sendo que o sistema financeiro hoje pode ser considerado global. Com a alta constante dos juros esses títulos passaram a serem desvalorizados sendo que os financiamentos passaram a não serem pagos dando inicio a uma crise que está afetando o mundo inteiro.
No Brasil, apesar do fluxo de capital ser elevado, em 2007 o valor foi de US$ 79,5 bilhões segundo o Instituto Internacional de Finanças, e grande parte ser na forma de ações e títulos, os bancos não apresentavam potencial o suficiente para entrar nesse mercado de repasses de títulos que acabou gerando essa quebra mundial o que foi até beneficiado por apresentar certa estabilidade do mercado brasileiro, diferentemente do que aconteceu por exemplo na Rússia, onde a Bolsa de Valores apresentou quedas de até 15% em um dia.
Independentemente da intensidade do impacto da crise norte-americana em cada país, vai ser necessário, de acordo com o próprio FMI, um comprometimento coletivo das autoridades monetárias nacionais para impedir que a crise piore o que, novamente, segundo o FMI, ainda esta por acontecer. No Brasil, a principal falha apresenta-se na falta de liquidez que está afetando o mercado externo e é sim necessário entender que o problema é externo, assim como declarou o presidente do Banco Central Brasileiro, Henrique Meirelles “Temos que reagir ao que acontece no mercado internacional, o problema é externo”. Porém, também é necessário entender que esse problema externo nasceu de uma tendência mundial que engloba também o Brasil e suas empresas.
 
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