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Artigo: Cuba depois da renúncia
Área: Relações internacionais
Autor(es): Bárbara Daniel | | | | | | | | |
 
Após quarenta e nove anos no comando de Cuba, Fidel Castro renuncia. Mas quais serão as implicações que tal ato causará na política doméstica e externa cubana?
É difícil prever com precisão, quais serão as conseqüências, porém as expectativas são grandes.
Houve rumores que com Raúl Castro no comando de Cuba, haverá abertura política na ilha, conforme o analista de América Latina da BBC, James Painter “o seu discurso diante da nova assembléia nacional sugere que, se o novo líder cubano vai introduzir reformas econômicas, elas serão cautelosas, graduais e cuidadosamente conduzidas”, porém o controle político continuará com o partido comunista. Todavia, mesmo que Raul Castro seja mais adepto da abertura política, ainda existem muitos conservadores do partido comunista no poder, o que dificulta maiores mudanças.
Outra expectativa mundial é que junto com a abertura econômica, aconteça a abertura democrática. Talvez esta seja a mais esperada, pois se Cuba adotar o regime democrático significa o fim do embargo que foi imposto pelos Estados Unidos.
O fato é que as mudanças em Cuba já estão ocorrendo e começaram antes mesmo da renúncia da Fidel. Nos últimos quatro anos, as mudanças são visíveis não só nos prédios e estabelecimentos, mas também na desigualdade social gerada pela injeção de dólares que segundo Denize Bacoccina da BBC “junto com o turismo, são os dólares enviados por parentes que moram no exterior – calcula-se cerca de 1,2 milhões de pessoas, o equivalente a 10% da população – que movimenta a economia Cubana”.
Não podemos negar que a educação em Cuba é um exemplo e os avanços médicos de Cuba também são incontestáveis e, claro, Fidel conseguiu fazer a reforma agrária. Porém, a população não tem liberdade política, não tem direitos de escolha e expressão e já começam a vivenciar a desigualdade social. Em sua analise, James Painter, diz “analistas afirmam que o governo cubano obteve conquistas amplamente reconhecidas nos setores de saúde e educação, mas há grave escassez de alimentos, itens e serviços básicos para a maioria dos 11 milhões de habitantes da ilha”.
Antes, a população que apoiou Fidel na revolução e nos quarenta e nove anos em que esteve no comando, agora é tomada por uma nova geração, que já contesta a forma de governa.
Segundo alguns analistas, o povo de Cuba se acostumou a viver em recessão por falta de energia e aprendeu a viver feliz com a simplicidade, entretanto nos resta saber quanto tempo mais isso irá durar, pois, além da desigualdade crescente na ilha, agora não haverá mais o carisma de Fidel, que ainda é adorado pela maioria da população.
A verdade é que Cuba está passando por uma transição, mesmo que não seja a curto prazo, é visível que a queda do comunismo cubano acontecerá, principalmente agora, sem Fidel e com os avanços tecnológicos como a internet que ajuda a nova geração de cubanos a desafiarem o governo, pois qualquer regime que não garanta a liberdade da população está fadado ao fim, pois mesmo que dure por um tempo, sempre haverá a oposição se fortalecendo com o apoio dos demais países que lutam pela “ instauração” da democracia.
 
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