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Artigo: Da especulação à certeza
Área: Relações intenacionais
Autor(es): Danielle dos Santos Issa | | | | | | | | |
 
Por vezes, o mundo nos surpreende ao permitir que correlacionemos elementos simples a realidades complexas, obtendo resultados precisos. Pensando no dinheiro como um brinquedo, nos países como as crianças e na crise financeira como a briga no colégio, ficaria fácil prever o que foi tido, por muitos, como imprevisível ou, no mínimo, improvável.
Uma criança tem família rica e um brinquedo melhor, enquanto outras cinco crianças têm menores regalias, e tentam, mesmo assim, participar da brincadeira. Deixar o brinquedo em casa não tem a mesma graça que levá-lo ao colégio, onde ele se junta com os dos demais e passa a ser meio de atração de amigos e de condições mais agradáveis no conjunto. Um pega o brinquedo do outro, que divide com o outro, que troca com o seguinte, que quebra e distribui os destroços que sobraram a todos. Socorro! A brincadeira acabou.
Não é de hoje que os Estados Unidos da América fazem uso dos mais variados sortilégios para conseguirem o que querem, independentemente da vontade geral. Quando querem guerra, há guerra; quando querem liquidez, encontram meios de criá-la; quando querem recursos naturais, exploram e assim por diante. A atual crise financeira que assola o mercado mundial vem se formando há muito tempo e, de certa forma, em silêncio. O aquecimento do mercado imobiliário como tentativa desesperada de salvar o país da crise da bolsa Nasdaq, em 2001, poderá causar conseqüências ainda piores.
O surgimento do mercado de empréstimos subprime – que concedia empréstimos a clientes extremamente duvidosos ávidos por uma propriedade – arrastou sólidas empresas financeiras para a crise, quando sofreu os efeitos da alta da taxa de juros realizada pelo Federal Reserve (FED). A inadimplência das famílias que haviam tomado os empréstimos nesse mercado aumentou, devido ao aumento das parcelas de suas dívidas, e todo o esquema elaborado para garantir o ciclo de ativos financeiros funcionando foi comprometido. Não se colocou, na bolha da especulação, a possibilidade do plano falhar, ou, pelo menos, fingiu-se não saber sobre essa possibilidade.
A euforia oriunda da especulação contagiou os mais diversos setores da economia, e operações de alto risco foram efetuadas por toda a parte. E agora? Como reverter o quadro? Como salvar a imensa cadeia de envolvidos nas operações do mercado? Como salvar os que sequer se envolveram, mas que serão brutalmente afetados pela crise?
Muitos relutam, diante das sucessivas crises que o mundo enfrenta através dos anos, em reconhecer que o Estado ainda é relevante e ainda é quem restabelece a ordem em momentos de impotência geral. Defende-se a auto-regulação do mercado por todos os cantos do planeta, mas, quando ele pára por completo e ameaça colocar a economia mundial em recessão, não há auto-regulação que reverta essa situação sem que o Estado entre em cena e intervenha.
Parece irônico o fato dos grandes defensores da liberalização financeira pedirem novamente ajuda à mão forte do Estado? Pode ser. Porém, há de se admitir que, em caso de briga por um brinquedo no colégio, parece igualmente óbvio que não há melhor solução que recorrer à professora.
 
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