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Artigo: Retórica E Mensagens Subliminares Nos Meios De Comunicação Audio-Visuais
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Autor(es): Flávio Calazans e Roberto Bazanini | | | | | | | | |
 


Retórica E Mensagens Subliminares Nos Meios De Comunicação Audio-Visuais
Prof. Dr.Flávio Mário de Alcântara Calazans - UNESP
Prof. Dr. Roberto Bazanini -UNIP
RESUMO:
No decorrer do Século XX, O Cinema, Televisão e Internet veicularam internacionalmente mensagens consideradas como contendo Retórica Subliminar, objetiva-se efetuar um levantamento do estado da técnica por meio de estudo de casos que comprovem ou não a existência de tais signagens subliminares.
Palavaras-Chave: Subliminar, Retórica, Midiologia, Propaganda, Mídias Audio-Visuais

RESUMEM:
En el Siglo XX, las Películas, Televisión e Internet transmitieron los mensajes eso internacionalmente fueram consideradas como Retorica Subliminal, se apunta a hacer un panorama del estado del arte a través del estudio de casos que demuestran o no la existencia de tal signages del Retorica Subliminals.
Las Palabras de la llave: Subliminal, Retorica, Mediology, la Propaganda, Medias Audio-visual.

ABSTRACT:
In elapsing of the Century XX, the Movies, Television and Internet transmitted messages internationally that were considered like Subliminal Retorics, it is aimed at to make a panorama of the state of the art through study of cases that prove or not the existence of such subliminals signages.
Key Words: Subliminal, Retorics, Mediology, Propaganda, Audio-Visual Medias.

1-Introdução
A Retórica e os recursos televisivos
As novas tecnologias produzem impactos contínuos em nossa vida diária: Internet, Hipermídia, Realidade Virtual, Telefonia.
No mundo globalizado, as mídias trazem o mundo para dentro de cada lar, alterando a noção de fronteiras, favorecendo a internacionalização dos comportamentos. Altera condutas de base de um povo em favor de uma cultura de massa.
Já não estamos mais no mundo do permanente. Na pós-modernidade tudo se torna provisório e fugaz em oposição à durabilidade e permanência que caracterizavam as formas tradicionais de cultura.Um outro fator é a descontinuidade, os temas aparecem e desaparecem.
Convivemos com os descontínuos, a televisão, mídia interdisciplinar por excelência, espetaculariza o mundo dentro dos nossos lares.
Busquemos entender seus elementos para entendermos sua própria retórica. ‘Retórica é a faculdade de descobrir especulativamente o que, em cada caso, pode ser próprio para persuadir” (Aristóteles (1956, p.1356)).
A televisão tem como objetivo de seu produto a comunicação, isto é, uma determinada emissora vende um público a publicitários que, por sua vez, irão vender idéias e/ou produtos a esse mesmo público.
Sucede, entretanto, que para conquistar e prender esse mesmo público os comunicadores lançam mão de determinados recursos técnicos que possibilitam a deformação da mensagem e o conseqüente direcionamento do telespectador.
Analisemos alguns desses recursos presentes na televisão, produzindo efeitos altamente condicionadores em sua recepção:
O Plano. O plano geral dá uma visão ampla de uma situação qualquer, mantendo o espectador à distância. Através do Plano de Conjunto, a câmera se aproxima, e ele, o espectador fica mais interessado. Com o plano médio, o espectador é colocado face a face com os personagens principais e pelos outros planos, como o close, ele entra cada vez mais em seus pensamentos e em seus sentimentos”. Portanto, pode-se constatar que uma imagem pode ser trabalhada de diversas maneiras para influenciar psicologicamente o telespectador, pois os planos dirigem a ação.
Os Movimentos da Câmera. Podemos destacar a panorâmica horizontal, vertical, diagonal, o travelling, o zoom. Esses recursos produzem interpretações que envolvem sentimentos, tais como: grandeza, vitória, pequenez, desprezo, prepotência, que são evidenciados quando associados à angulação. O plongée (câmera alta) diminui o tamanho do objeto, provocando o efeito psicológico de pequenez, desprezo e solidão enquanto o contra-plongée (câmera baixa) aumenta seu tamanho, ocasionando, portanto, um efeito psicológico de força, vitória e prepotência. O estudo dos ângulos de visão ou angulação e os movimentos de câmera conduzem sempre a manipulação da informação.
O Cenário. O cenário fala através de suas cores, luzes e linha. Em relação às linhas, Antonino discute as várias possibilidades de interpretação e seus aspectos psicológicos. A linha reta horizontal cria a impressão de paz, silêncio, serenidade e repouso. Um exemplo ilustrativo pode ser observado em relação às mesas utilizadas pelos apresentadores dos telejornais. A linha reta vertical dá a aparência de dignidade. Estimula, exprimindo exaltação, ascensão, força e permanência. Temos aqui as faixas verticais, painéis, fundos listrados. A linha reta inclinada transmite a idéia de direção, penetração, movimento violento e decidido. A linha reta radial , se convergente, conduz o olhar do telespectador. Transmitem a sensação de poder, de unidade, de estar em destaque, de concentração; se a linha estiver divergente, isto é, quando parte de um único ponto para diversas direções, produz a dispersão do olhar, dando a sensação de liberdade, de glória, de esplendor. A linha curva está associada à feminilidade, suaviza a sensação de firmeza que é transmitida pela linha reta. Dá a sensação de sensualidade, feminilidade. Quanto mais ondulada for a linha, quanto mais se aproximar da linha horizontal, mais calma e paz poderá traduzir.
Portanto, as linhas são importantes elementos de indução. Basta que se modifique as linhas do ambiente e da própria figura do personagem para provocar deformação na mensagem.
A luz e a cor. O efeito psicológico produzido pela luz é uma das experiências humanas mais importantes, é um dos principais agentes na recepção de imagens. As cores frias são geradas pelos comprimentos de onda do violeta, do verde e do azul. Transmitem a impressão de distância, de sombra, de calma. As cores quentes (vermelho, laranja, amarelo) são estimulantes, transmitem sensações de calor, proximidade, densidade, vivacidade, alegria. A luz pode ser utilizada para guiar os olhos do observador. Portanto, a luz e a cor atingem diretamente os nervos do telespectador, dando seu sentido próprio.
As montagens. A apresentação das informações, os cortes realizados, a seqüência dos fatos são importantes elementos de indução.
O código sonoro. Segundo o filósofo e semioticista Umberto Eco, “o código sonoro compreende os sons da escala musical e as regras combinatórias da gramática tonal”. Portanto, se um fato é acompanhado de sons terá significações diferentes para os telespectadores.
A decupagem. O corte das notícias influencia e compromete diretamente a recepção. Por exemplo: uma notícia pode ser dada através da simples narração do apresentador, sem imagem e sem som ambiental. Pode ser dada acompanhada de narração e imagens. Poderá ser apresentada pela narrativa, imagens e som ambiental. Poderá ser dado com narrativa, imagem e som ambiental adicionada ao testemunho de pessoas. Poderá ser apresentada por inteiro ou apenas uma parte da notícia.
Quantas variantes e quantas variáveis à disposição do comunicador!
Desse modo, a retórica televisiva supõe e considera a existência da intencionalidade em sua reflexão, uma vez que tem como a priori, o fato de que, por trás da linguagem, das palavras e imagens, dos recursos técnicos estão “os estados de alma”, retratados sinteticamente no interesse das organizações e nos desejos dos receptores.
Deformação da mensagem através de recursos técnicos
Jornal Nacional de 23/dezembro/1995

Luz e Cores
•Fundoescuro/trevas/maldade/obscurantismo
• .Luminosidade do apresentador – clareza/esperança/transparência


Linhas – Formas – Artefatos
•.Olhar direto do apresentador do Jornal Nacional
. •.Olhar desviado para fora de Edir Macedo
. •.Cabelo cheio do apresentador.
. •.Cabelo ralo de Edir Macedo
. •.Notas simulando chifres na cabeça de Edir Macedo
. •.Ombro protetor do apresentador do Jornal Nacional
. •.Ombros caídos, sem braços de Edir Macedo
. •.Dinheiro no bolso de Edir Macedo
. •.Olheiras do vampiro em Edir Macedo
•.Dinheiro voando ao lado da figura de Edir Macedo.
De modo geral, as imagens veiculadas pelo Jornal Nacional revelam basicamente a dicotomia estabelecida entre duas posições antagônicas: o bem e o mal, verdade e aparência. A Rede Globo surge como mentora da moralidade social encarnando a idéia do bem, ao denunciar energicamente os procedimentos de gangsteres que utilizam a boa fé dos mais simples para atingir objetivos escusos.
O movimento das imagens reforçam a apresentação dos pares retóricos: vencedores e derrotados. O olhar do apresentador do Jornal Nacional reflete qualidades as essenciais para o ethos de qualquer orador: coragem, sinceridade, a firmeza dos heróis hollywoodianos dos primórdios do cinema no início do século, marcadamente na figura do mocinho. O olhar desviado para fora de Edir Macedo é o protótipo do bandido covarde, falso e hipócrita, pois aquele que não olha diretamente para as coisas não é digno de confiança. O cabelo cheio do apresentador do Jornal Nacional indica vitalidade, beleza em contrapartida ao cabelo ralo de Edir Macedo associado à fraqueza e feiúra. O ombro protetor do apresentador à frente dos ombros caídos e sem braços de Edir Macedo revela a força e determinação dos vencedores que ocupam a cena .
As cédulas colocado sempre ao lado da figura de Edir Macedo, ora formando chifres, ora saindo de seu bolso, ora voando sobre si mesmo em contraposição ao lado da cena ocupada pelos apresentador do Jornal Nacional, absolutamente límpida, enfatiza radicalmente o aspecto impuro, mercantil tendencioso da Igreja Universal do Reino de Deus.
Nessas imagens foram utilizadas técnicas que dissimulam a intenção que subjaz por detrás daquilo que é apresentado. Na medida em que a imagem é um signo não convencional e também não constitui uma afirmação explícita, ela permite atribuir ao referente qualidades e defeitos, sem mentir formalmente sobre suas reais características.
Os artefatos (dólares) colocados juntos a imagem de Edir Macedo reforçam intensamente as acusações verbais, remetendo ao campo de batalha entre duas frentes inconciliáveis: O bem contra o mal. A IURD caracterizada como um bando de salteadores sarcásticos que abusam da boa fé das pessoas simples, enquanto a Globo surge vencedora, justiceira, destemida, aliada das autoridades , a grande mentora da moralidade social. Eis um instrutivo exemplo de mensagem subliminar.
"...considera-se subliminar qualquer estímulo que não é percebido de maneira consciente, pelo motivo que seja: porque foi mascarado ou camuflado pelo emissor, porque é captado desde uma atitude de grande excitação emotiva por parte do receptor, (...)porque se produz uma saturação de informações ou porque as comunicações são indiretas e aceitas de uma maneira inadvertida" (Ferrés. "Televisão subliminar" p.14)
Objetiva-se efetuar nesse trabalho, um panorama do Estado da Técnica das tecnologias áudio-visuais midiáticas que poderiam ter por objetivo a transmissão de mensagens contendo estimulação subliminar cuja signagem (devido ao tempo de exposição, ritmo, sobreposição ou distribuição cromática-espacial-de escala) encontre-se dissimulada ou impossibilitando uma leitura consciente por parte do receptor, conforme Ferres (op. Cit.).
A metodologia empregada será Hipotética-Dedutiva, em conformidade com o "Modus Tollens" de Popper, buscando falsear a hipótese de tipologia intuitiva proposta na afirmação da "inexistência de toda e qualquer signagem subliminar em todos os meios de comunicação no decorrer do Século XX", falseada por meio da coleta, identificação e análise de exemplos midiáticos oriundos da Videosfera (Mídia Eletrônica), recorrendo-se a subsídios do referencial teórico dos paradigmas necessários segundo um enfoque multimídia aplicado ao estudo de casos.

2-Propaganda Subliminar Multimídia : O Estado da Técnica.

Por definição, subliminares são as mensagens que são enviadas dissimuladamente, ocultas, abaixo dos limites da nossa percepção consciente (medidos pela Ergonomia) e que vão influenciar nossas escolhas, atitudes, motivar a tomada de decisões posteriores (C.F. 1:25 a 31).
Subliminares são mensagens-estímulos-comandos-sugestões que entram na mente de contrabando, como um vírus de computador que fica inerte, latente, e só seriam ativados na hora certa influenciando-condicionando processos decisórios ou tomada de atitudes posteriores.
Um dos aspectos que vem sendo mais negligenciado nas pesquisas sobre os meios de comunicação de massa é justamente a questão dos mecanismos da retórica subliminar, uma linha de pesquisa cercada de preconceitos, “tabus” , desinformação e ignorância, sendo um aspecto até mesmo omitido ou apagado da História por alguns pesquisadores.
Há autoridades acadêmicas cuja reputação referenda e reforça uma postura predisposta por parte de alguns jornalistas e outros comunicadores tendendo a mistificações ou abordagens superficiais, sensacionalistas ...ou até mesmo posturas anti-éticamente comprometidas com interesses de anunciantes e patrocinadores dos jornais, revistas , rádio e TV que fazem uso desta tecnologia subliminar comercial e eleitoralmente , escondendo o estado da técnica subliminar dos telespectadores, leitores e ouvintes.
Devido a este quadro teórico lacunoso, fazem-se necessárias algumas digressões e recapitulações de cunho histórico no intuito de esclarecer melhor alguns aspectos do corpo teórico que baseia a Tecnologia Subliminar.
A Semiótica Subliminar tem seus precursores no filósofo grego Demócrito ( 400 A.C.) que primeiro afirmou que nem tudo o que é perceptível pode ser claramente percebido, tema continuado por Platão no “Timeu” e detalhado por Aristóteles na obra “Perva Naturalia” com a teoria dos “Umbrais da Consciência”, continuado até por Montaigne em 1580 e Leibniz em 1698 com as “ Percepções inadvertidas que tornam-se óbvias por meio de suas consequências” , sendo que os estímulos subliminares começam a ser mensurados quantitativamente pelo contemporâneo de Freud, Doutor Poetzle , que em 1919 estabelece a relação estatística de causa-efeito entre estímulo subliminar e reação fisiológica; seguidos de Teóricos da Comunicação como os canadenses Marshall MacLuhan e Wilson Brian Key, e europeus como o italiano Umberto Eco ; até mesmo no Brasil, pesquisadores do porte e reputação do físico Mário Shemberg e do Filósofo das novas tecnologias Vilém Flusser abordam as tecnologias subliminares em suas obras.
Entretanto, apenas em junho de 1934 a tese de doutorado de Collier em Psicologia Experimental detalhou publicamente os esquemas de construção de um projetor de diapositivos de alta velocidade , o Taquicoscópio ( Táquion em grego significa veloz e escópio é visor-projetor) cujas imagens chegam a 1/3000 de segundo, causando reações fisiológicas ao sinal subliminar (C.F. 1: 24) .
Por outro lado, a Midiologia Subliminar teve o primeiro registro histórico entre os Meios de Comunicação de Massa na Videosfera com a mídia eletrônica urbana Cinema, em 1956, quando a firma de Jim Vicary , “Subliminal Projection Company” fez uso do taquicoscópio projetando a cada 5 segundos sobre o filme “Picnic” a frase “Beba Coca”, na velocidade de 1/3000 de segundo cada vez, aumentando em 57,7% as vendas no intervalo, um experimento que já assumiu as proporções de "Lenda Urbana" internacional entre professores e pesquisadores da Comunicação mal-informados ou preconceituosos (CF 9; artigo publicado em 1987- "Propaganda Subliminar: a técnica e o tabú" na bibliografia).
Já em 22 de junho de 1956, a rede de Televisão BBC de Londres realizou, sob a supervisão técnica de James McCloy, a projeção de mensagem subliminar na velocidade taquicoscópica de 1/25 de segundo inserida na programação veiculada com objetivo de pesquisar reações nos telespectadores.
Somente em 1974 houve o registro de adaptação da tecnologia subliminar à Televisão com objetivos comerciais, quando a frase “Compre-o” foi inserida sobreposta a um “frame” (1/30 de segundo) por 4 vezes durante o comercial de 30 segundos do jogo para crianças “Kusker Du” nos Estados Unidos da América..
Beckers adaptou a Tecnologia Subliminar às fitas de videocassete em 1985 para fins terapêuticos, e em 1990 já havia “softwares” (programas de computador) inserindo mensagens subliminares nas telas dos terminais dos funcionários para motivar e aumentar a produtividade; chegando a um “frame”, uma varredura do canhão de raios catódicos pela tela do monitor, o equivalente a uma velocidade taquicoscópica-subliminar de 1/30 de segundo.
Entretanto, nos anos 1980-1990 grandes empresas colocaram vírus nos computadores que fazem piscar na tela (efeito flicker) frases como "trabalhe mais rápido" para aumentar a produtividade dos empregados. Também supermercados instalam som ambiente com as frases "sou honesto" e "roubar é errado" alegando obter bons resultados mensuráveis estatisticamente (O processador sonoro MARK VI reduziu em 30% o índice de furtos em uma rede com 81 supermercados em 4 estados dos USA); e bancos agem de forma semelhante para estimular aplicações financeiras (CF 1:53).
Aqui cabe inserir um depoimento pessoal meu a respeito da eficácia midiológica dos sinais subliminares, pois ainda em 1990, no “Laboratório de Telemática da Unisantos”, desenvolvi e implantei com a equipe (Prof. Silvio Ênio Bergamini Filho e a jornalista Paula Prata Vandenbrande) uma experiência de pesquisa empregando o “Know-How” ( Savoir Faire ) desenvolvido durante anos de pesquisa sobre Tecnologias subliminares.
Adaptamos ao “logiciel” (programa de computador) da rede Videotexto ( antecessora francesa da Internet) algumas destas Tecnologias com o objetivo de aumentar a interatividade da rede, cujo potencial dialógico era sub-utilizado, sendo lida monologalmente como as mídias de massa da época .
Desta maneira, com os sinais subliminares ( Pisca-Pisca de frases e cores ) obtivemos um aumento mensurado de acessos na ordem de 550% em relação aos meses anteriores, subindo de 200 acessos/mês em fevereiro de 1991 para 1.100 acessos/mês em abril , mantidos em maio, provando os efeitos da Midiologia Subliminar ( cf. Relatórios Estatísticos Telesp do Videotexto do Brasil, março a maio de 1991).
Já na INTERNET, há um software produzido pela Macromídia, o mais popular programa de animação entre os Webmasters no ano 2000, o "Flash 4.0" , um programa vetorial que executa cálculos velozes.
No "Ambiente Flash" há comandos que permitem a possibilidade de inserir quadros coloridos cuja leitura-varredura na tela dos computadores chegue aos 30 quadros por segundo, inserindo um quadro com a mensagem subliminar entre os outros 29 do GIFF animado no "Flash 4.0" .
Há outras ferramentas para inserir subliminares: Fire-Works, Giff Animator, 3-D Studio Max, Director e muitos outros softwares, e digitando direto em HTML ou Javascript é possível medir o comando "Delay" (tempo de leitura-permanência da tela em velocidades vertiginosamente taquicoscópicas).
Tanto Websites, Home-Pages ou CDRoms que empreguem tais ferramentas podem inserir signagens subliminares, e em uma animação de 300 ou 400 quadros, além de imperceptível, ficaria muito trabalhoso rastrear cada imagem e em cada quadrante dela para vistoriar subliminares, tornando os "webdesigners" seguros para cometer subliminares anti-éticos ou mesmo que enquadrem-se tipificados como crime (incitando a preconceito racial ou religioso, à práticas sexuais pedófilas, violência, etc..).
Segundo o PhD. Key, fisiologicamente, o olho humano tem uma morfologia celular dupla: células chamadas bastonetes, que formam a visão periférica (chamada de fundo, pela psicologia da Gestalt), e outras chamadas cones, que constituem a fóvea, nosso foco de visão consciente (figura, na Gestalt). Tudo o que é percebido é pelo consciente-foco-fóvea-cones-figura...já o despercebido seria, segundo KEY, o subliminar-inconsciente-bastonetes-fundo.
O mesmo princípio da Gestalt aplica-se ao ouvido: o fundo musical, que dá o "clima" de anúncio publicitário ou filme de terror, seria subliminar enquanto o telespectador estiver focalizando atento a fala e os gestos do ator-personagem.
Houve até um jingle brasileiro feito para os automóveis Chevrolet veiculado em filme da televisão cujo ritmo melódico era em um ciclo de 72 batidas por minuto, o que provocava, subliminarmente, memórias inconscientes no ouvinte do ritmo cardíaco da mãe o amamentando, persuadindo o telespectador a amar e sentir-se protegido pelo automóvel-mamãe.Este jingle fazia o consumidor regredir a um estágio psicológico infantil, chantageando-o emocionalmente a comprar e criando o desejo pelo carro anunciado, de modo a fazê-lo sentir-se culpado por não poder comprá-lo.
Hoje, as telenovelas brasileiras usam o merchandising, inserindo os produtos (motos, sorvetes, sandálias, bancos, perfumes, roupas, etc.) na narrativa de modo aparentemente inocente e inofensivo. Mas estas aparições são muito mais caras que as inserções comerciais normais - caras por terem efeitos maiores e melhores sobre o consumidor (CF 1:69).
Em setembro de 2000, no decorrer da campanha presidencial norte-americana, o candidato republicano à eleição, George Bush, em um filme de televisão veiculou críticas ao programa do candidato democrata Al Gore.
Ao criticar o sistema de reembolso de remédios, a equipe de publicitários de Bush (chefiada por Alex Castellano, que anteriormente já tinha empregado subliminares para o candidato Bob Dole em outra eleição presidencial) inseriu, em um “frame” (uma divisão de tempo de varredura da tela equivalente a uma parte entre trinta divisões de um segundo, 1/30 de segundo) a palavra “RATS” (ratos) sobreposta à frase “bureaucrats decide”.
Alex Castellano declarou ao jornal NEW YORK TIMES que a insersão em um frame foi “acidental”.
O filme foi veiculado 4.400 vezes em cobertura nacional antes de ser denunciado e cancelado, e teve um custo aproximado de US$2,5 milhões, muito caro para ser deixado ao acaso e ter este tipo de “Acidente” tão polêmico em uma campanha presidencial na qual até bonés de eleitores contendo logotipos de times de basebol são digitalizados e apagados para evitar antipatias.
Tal expediente de Signagem Subliminar foi empregado objetivando recuperar a queda de Bush nas pesquisas, à época, empatado com Gore.
Segundo Osmar Freitas, correspondente em Nova York, na revista "ISTO É", n.1616 de 20 de setembro de 2000, página 118: “Caracterizava-se, assim, um dos mais clamorosos exemplos de propaganda subliminar jamais descobertos”.
Este fato foi amplamente noticiado e documentado em rádio e televisão brasileira, incluindo matérias em jornais conceituados como "O ESTADO DE SÃO PAULO" (“Bush é acusado de usar propaganda subliminar” 13 de setembro de 2000, A15) e "FOLHA DE SÃO PAULO" (“Bush é acusado de propaganda subliminar” 13/9/200), ambas matérias distribuídas pela renomada e fidedigna agência de notícias Reuters.
Outro caso com muito destaque na mídia foi a inserção de dois fotogramas com fotos de uma mulher com os seios nus no desenho animado da Disney “Bernardo e Bianca”, conforme a Folha de São Paulo de 15 de janeiro de 1999, “Pela primeira vez na história da companhia, a Disney admitiu ter encontrado imagens subliminares num de seus filmes de animação”.
A cena acontece aos 28 minutos do filme e é imperceptível sem que se pare no quadro a quadro.
Dois sites da Internet iniciaram a polêmica, um deles foi http://www.entertainium.com/francais/video/rescuers2.html, graças a eles, a Disney foi obrigada a recolher 3,4 milhões de fitas em locadoras de vídeo nos USA.
UM EXPERIMENTO SIMPLES PODE COMPROVAR A EXISTÊNCIA DE SUBLIMINARES NA PRÁTICA: BASTA QUE O TELESPECTADOR retire em vídeo ou DVD o filme "Drácula", de Coppola, e vá até a cena em que o vampiro, sob a forma de lobisomem, faz amor com a moça de vermelho no jardim.
Repare que ele pára, a câmera dá close e ele fala para a outra jovem (Mina), "- Não me veja! (- Don't see me!)", e cai um relâmpago que ilumina tudo.
Coloque a imagem no quadro a quadro durante o raio, em um frame (1/30 de segundo) e veja que aparece o rosto do ator sem maquiagem, forma subliminar de espécie taquicoscópica.
Antes, o ator apareceu maquiado de velho, agora de lobo. E este sinal subliminar prepara o inconsciente do telespectador para reconhecê-lo mais tarde, nas cenas subseqüentes, como o nobre sofisticado.
Este é um exemplo de subliminar em obra de arte, sem o objetivo de vender produtos ou eleger corruptos. É um efeito estético como os realizado por GREENAWAY no filme "Prospero's Books", além de muitos outros cineastas.
O Mestre Ivan Carlo Andrade de Oliveira e Eu, em nossa lista de discussão subliminar@egroups.com.br denominamos em autoria coletiva tal tipologia como "SUBLIMINAR SINTÁTICO" , cujos efeitos limitam-se à lógica interna da obra, enquanto que os "SUBLIMINARES PRAGMÁTICOS" visariam obter efeitos extra-obra, em uma eficácia passível de ser auferida-mensurada em comportamentos decisórios de compra ou eleitorais ("Share of Marketing"), caracterizando assim uma Poética Subliminar com objetivos estéticos diferenciada da signagem com objetivos mercadológicos.
O que seria discutível é a questão de o Estúdio de cinema estar ou não "Vendendo" subliminarmente a imagem do ator como "SEX SIMBOL" às espectadoras-telespectadoras femininas.
Nem todo subliminar seria intrinsecamente mau e nocivo; veja, além das artes, os subliminares didáticos e terapêuticos para curar fobias e trauma psíquicos (CF 1:23).
Toda tecnologia é um instrumento e, por isto, muitos epistemólogos a considerariam como neutra em si mesma. Importante seria o uso que os homens fazem dela - este sim pode ser axiológicamente valorado como bom ou mau...contudo, é um tema polêmico e perpetuamente aberto a debates...inconclusivo.
Estes, entre tantos casos, comprovam a existência de Signagens Áudio-Visuais denominadas como Subliminares ou Propaganda Subliminar e demonstram que há um uso destas tecnologias de manipulação do inconsciente na Mídia Internacional impressa e eletrônica.
A propaganda subliminar nem mesmo é citada nas leis, NADA A PROÍBE NO BRASIL, ao contrário do que estranhamente afirmam diversos autores acadêmicos.
Todavia, por meio de um processo de hermenêutica-interpretação, propus que se aplique aos casos dela o artigo 20 do Código de Ética dos Publicitários, que diz que as mensagens publicitárias devem ser ostensivas e assumidas (o merchandising subliminar é anti-ético, no meu entender, pois não é ostensivo e sim dissimulado), assim como também o artigo 36 do "Código de Defesa do Consumidor", que também proíbe anúncios disfarçados, dissimulados.

3-Considerações Finais.

Com estes exemplos acima, fica FALSEADA a hipótese da inexistência de Signagens Subliminares nas Mídias Áudio-Visuais no decorrer do Século XX, comprovando-se que, contrariando a hipótese, há existência de subliminares veiculados fartamente documentada; desde o desenho animado da Disney (Disney que admite haver subliminares e recolhe as fitas) e em Campanha Eleitoral Presidencial dos USA, o caso da Globo-Record, passando por Cinema-Vídeo-DVD até a Internet e os CDROMs.
Estudar os subliminares, aprender a identificá-los, denunciá-os. Esta é a única defesa, cabe a cada cidadão informado da plausível possibilidade de existência de signagens subliminares decidir se será um cúmplice omisso destes crimes contra a humanidade ou se irá exercer sua capacidade crítica, Afinal, podemos ser os "maquis", a resistência a esta guerra pelas mentes humanas que é a Tecnologia Subliminar com mensagens de Propaganda inseridas nos meios áudio-visuais.
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4-Bibliografia:
1) ARISTÓTELES. Arte retórica e arte poética. São Paulo, DifusãoEuropéia do Livro, 1956.
2) BAZANINI, Roberto. “Globo e Universal-tudo a ver: a disputa mercadológica pelo controle do imaginário popular –ofensiva e contra-ofensiva retórica” Orientador: Dr. Philadelpho Menezes, Doutorado em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 20 de março de 1998
3) CALAZANS, Flávio Mário de Alcântara. Midiologia Subliminar: marketing do pânico pokemon à pokemania". In: LÍBERO-revista acadêmica da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. São Paulo, Ano III, volume 3, n.5, primeiro semestre de 2000, páginas 74 a 87. (ISSN 1517-3283).
4) _____________ Propaganda Subliminar Multimídia. 4.edição, São Paulo, Summus Editorial, 1999. (Coleção Novas Buscas em Comunicação, vol. 42)-ISBN 85-323-0411-7.
5) FERRÉS, Joan. Televisão Subliminar, socializando através de comunicações despercebidas. Porto Alegre: Artmed,1998. (ISBN 85-7307-457-2).
6) KEY, Wilson Bryan. Seducción subliminal. México, Editorial Diana, 1978.
7) WOLTON, D. (1994. Porto: Edições Asa, 1994.





 
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