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Artigo: Marketinglogia ou Psicomarketing?
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Autor(es): Robson Paniago | | | | | | | | |
 
marketinglogia ou psicomarketing?

Prof. Dr. Robson Paniago
E-mail: robsonpaniago@hotmail.com
Sites: www.robsonpaniago.com.br ou www.robsonpaniago.adm.br

Resumo:
Este artigo tenta demonstrar a importância, para o homem de organização, de entender o marketing e a psicologia para que possa usá-los dentro e fora dela no sentido de buscar a melhoria das pessoas.
Com pessoas mais capacitadas poderemos obter melhores resultados, que é um dos principais objetivos de toda e qualquer empresa. Para que isso aconteça é importante que seja trabalhado as necessidades e desejos dos consumidores e qual a melhor forma de atendê-los.

Abstract:

Palavras-chave: pessoas, marketing, psicologia, necessidades, desejos.

Key-words: people, marketing, psicology, necessities, desires.




Entender os seres humanos neste mundo complexo e cheio de mudanças é uma tarefa que exige muito dos profissionais, sejam eles de que área for e também com o conhecimento que tiverem.

É importante notar que trabalhar nas empresas, sejam elas pequenas ou grandes, faz com que possamos tentar entender as pessoas que as permeiam. E pessoas têm angústias, dúvidas, medos e doenças.

Ao tentar entender esses aspectos seria fundamental que pudéssemos entender um pouco de dois conhecimentos que são importantes para a sobrevivência de todo e qualquer negócio, que é o marketing e a psicologia.

Segundo Peter Drucker (1) : “Marketing é tão básico que não pode ser considerado como uma função isolada. É o negócio inteiro, cujo resultado final depende do ponto de vista do cliente”.

O marketing ajuda os seres humanos a atingirem suas necessidades que variam de acordo com a cultura, a filosofia, os costumes, os valores, as crenças, a intuição e os desejos de cada povo.

Além disso, podemos observar que o marketing lida com os indivíduos e com os grupos, sejam eles formais ou informais, numa arena que, para nosso entendimento e facilidade, chamaremos de mercado. Marketing é atingir seu mercado esteja ele onde estiver e buscar encantar seus clientes, sejam eles antigos ou novos.

Segundo Robbins (2) “a psicologia é a ciência que procura medir, explicar e, algumas vezes, mudar o comportamento humano e de outros animais”. Portanto é uma ciência que lida com os aspectos humanos em sua inteireza e grande profundidade.

Uma auto-análise transforma as pessoas para melhor poderem atuar como cidadãos participativos, criativos e por quê não interativos.


Para que possamos entender e interpretar esse mundo permeado por mudanças, numa economia dita globalizada, temos que fazer uma junção de marketing com a psicologia. Através dessa junção é que poderemos entender o ser humano, suas necessidades e poderemos responder suas indagações e dúvidas.

Para Jung (3) os indivíduos poderiam ser separados em “cabeças duras” (racionalistas) e “maleáveis” (empiristas). Os primeiros eram intelectualistas, religiosos e monísticos, filosoficamente idealistas, dogmáticos, otimistas, crentes no livre-arbítrio; os segundos, irreligiosos, céticos, hedonistas, por conseguinte materialistas, pluralistas, pessimistas e fatalistas.

Os racionalistas querem que o mundo seja cada vez mais interpretado com números e com soluções lineares. Já os empiristas acreditam mais na sua intuição e também nas soluções individuais, portanto, nas decisões que dependam da sua interpretação de mundo.

Entender a cabeça desses indivíduos e a importância dos conceitos de marketing aliados a psicologia faz um excelente quadro para atuar na busca de suas necessidades.

O marketing está aumentando sua importância e sendo mais utilizado pelas organizações brasileiras e isso pode ser facilmente constatado em leituras de jornais e revistas de negócio. Era mais reconhecido e melhor remunerado nas organizações o homem de finanças até a entrada em cena do governo Collor.

Após o governo Collor/Itamar e com a entrada do governo FHC aumentou a importância do homem de marketing, pois as organizações passaram a viver do seu próprio negócio e não de ganhar em aplicações financeiras (isso pode ser visto nos classificados dos jornais e também nas empresas de contratação de mão-de-obra).

Observando o mercado de trabalho após a guinada proporcionada pelo plano real, entra em cena o profissional de marketing, que tenta fazer com que a empresa sobreviva do seu negócio. Nesse contexto, muitos executivos que eram diretores de finanças migram suas habilidades e até de cargo, transferindo de mala e bagagem para a área mercadológica.

O marketing lida com as necessidades básicas do ser humano, por isso tem de entendê-lo no seu aspecto sociológico, filosófico e porque não psicológico. Através da sua psiquê e estudando e elaborando o homem nas suas diversas fases da vida é que o homem de marketing analisa o consumidor e ajuda-o a preencher seus vazios e suas necessidades e, às vezes, até criando uma necessidade ainda não vislumbrada por ele.

Para lançar um produto novo no mercado, o marketing faz uma pesquisa de mercado, utilizando a tecnologia, e também convida os consumidores para fazer prova dos produtos relatando sabores, preferência de cores, gostos etc. Ele busca com isso interpretar seus sonhos, suas angústias e tenta obter maneiras de preencher esses espaços, com o produto apresentado.

É como se o homem de marketing penetrasse no inconsciente coletivo das pessoas, para segundo Jung (4): “ao contrário do inconsciente pessoal, não é constituído de conteúdos individuais, mais ou menos únicos e que não se repetem, mas de conteúdos que são universais e aparecem regularmente”. Portanto o homem de marketing se traveste de psicanalista do consumo, induzindo ou conduzindo o mesmo.


Portanto necessitamos criar uma marketinglogia ou psicomarketing para ajudar na interpretação e análise da economia global e do indivíduo como um ser multifacetado cheio de gostos diferenciados, aflorados pela visão e pelas possibilidades globais da economia atual, podendo consumir produtos nacionais e internacionais.

A psicologia tenta entender o ser humano na sua busca de prazer e também no preenchimento das suas necessidades básicas, já dizia Abraham Maslow , na famosa “teoria das necessidades”.

A Parmalat ao fazer a campanha dos mamíferos entrou na mente de pais e de crianças de uma maneira indelével e também de uma maneira marcante. Com seu marketing de encantamento, conseguiu transformar os pais em verdadeiros aliados dos seus produtos, premiando os filhos com bichos de pelúcia em que a lembrança da marca ficará guardada por toda uma vida.

O Mc Donald’s ao colocar o parquinho nas suas lojas está fazendo com que as crianças queiram freqüentar aquele espaço e levem juntos de si alguns adultos.

A empresa que entender que o importante é marcar presença nas mentes infantis que estão sendo bombardeadas todos os dias e por todos os lados, vai conseguir dar esse aproach quando entender que “o primeiro sutiã a gente nunca esquece”, assim como as primeiras mensagens ficarão para sempre.

Marcar presença, fixar um conceito, agradar e conquistar mentes e corações, esse é o inferno astral do profissional de marketing, que deve inculcar modas, distribuir saudades, construir sonhos. Marketing é paixão e também emoção, é banana flambada com sorvete que lambuza os beiços e faz lembrar da infância, da pureza e do prazer.

O marketing deve utilizar o elemento saudade como um composto que grava e busca a lealdade. Deve haver ainda muitos consumidores de Toddy que relembram dos personagens de plástico que vinham dentro do produto, e das muitas crianças que o consumiam rapidamente para comprar novamente o produto e se beneficiar da novidade. Ah! Que saudades!...


Marketing é magia e encantamento. É entrar no inconsciente coletivo e marcar presença sem saber sabendo, sem provocar provocando, sendo sutil e ao mesmo tempo caudaloso como um rio e sabendo a hora certa de penetrar e a hora certa de retirar.

Marketing é guerrear com as armas que se tem. No fundo marketing é muito mais do que paixão, é questão de percepção. Se os homens de empresa entendessem que a maioria dos problemas depende de percepção, seria muito mais fácil e menos custosa a sua solução.

Não existem fórmulas fáceis e poderíamos dizer que marketing é, e continuará sendo, 98% de transpiração e 2% de inspiração. Pois essa busca das sutilezas do pensamento e da ação é feita por pessoas que entendem da vida, das aspirações, dos negócios e também da sedução.

Marketing é sedução pura, sutil e também delicada de uma combinação da alma atormentada do diabo com a espiritualidade dos deuses. Marketing é o sonho transformado em realidade. É criar com criatividade e também disparar a adrenalina combatendo os males da vida, fazendo com que os mistérios se tornem cada vez mais misteriosos e também com que os segredos possam ser aos poucos desvelados. Marketing é sabedoria e também batalhas e noites sem dormir, comendo sanduíches e afinando encontro de afinidades.

O marketing nunca deve esquecer que o melhor produto é aquele que vende muito, porque todos dizem ao próximo algo sobre ele, e que dá lucro. A melhor propaganda é a boca-a-boca que transborda e convence.

O marketing é ter o produto certo para o público incerto, tentando encontrar a busca do sonho com o encontro do sonho. Numa orquestra em que os lados possam funcionar e na qual o maestro seja ele, o consumidor que tem fraquezas, desejos e adora ser quase sempre bem tratado e , por que não, respeitado. Encantar esse cliente é tarefa diária e vital para o homem de marketing.


Podemos dizer, parafraseando Kotler (5) que “o marketing é a tarefa, assumida pelos gerentes, de avaliar necessidades, medir sua extensão e intensidade e determinar se existe oportunidade para lucro”.

Entendendo este contexto podemos afirmar que a emoção, a intuição e a percepção são fundamentais no marketing, porém devemos sempre estar ligando estas informações com a busca dos resultados. Só emoção sem resultados não seria interessante para as pessoas que lidam com o marketing.

E lidar com marketing quer dizer que todos dentro da organização devem estar preocupados com ele. Desde o porteiro até o presidente e mesmo assim esta preocupação não deve nunca ser da boca para fora, mas introjetada e adotada por todos na organização.

Pensando assim é que o Mc”Donalds citado consegue ser uma empresa bem vista pela revista Exame como uma das melhores empresas para se trabalhar. Mesmo sabendo que a mesma não paga os melhores salários e também não está entre as empresas que mais investem em treinamento.

Analisando podemos perceber que esta empresa investe no reconhecimento de seus colaboradores, e que os mesmos, através destes programas conseguem vislumbrar sua evolução e seu futuro e acreditam nas políticas da mesma.

Além disso, o Mc’ Donalds é lembrado pelas crianças como um bom lugar para se ir por causa da brilhante idéia dos parquinhos instalados neles, que fazem esse poder de atração ser irresistível a elas.

É importante fazermos as ligações entre mantermos o primeiro contato na mente da criança (relembrando a Parmalat citada acima) e através do mesmo marcarmos nosso nome, marca, imagem etc.

Concluindo podemos dizer que em toda e qualquer tentativa de entender os consumidores, as empresas passam por um envolvimento e conhecimento deles. Esse envolvimento e conhecimento passam pelo marketing e pela psicologia.

Com o marketing tentamos entender as necessidades e os desejos do mercado (dos consumidores) e através disso poderemos obter melhores resultados para as organizações.

Com a psicologia tentamos entender como as pessoas sentem, pensam, agem e reagem a fim de podermos atuar no sentido de aumentar sua percepção em relação ao nosso produto ou produtos e fazer com que elas possam entender nossa proposta e fazer sua opção consciente dos benefícios prometidos por ele.

Juntando a psicologia e o marketing teremos uma visão mais apurada da empresa(endomarketing), dos consumidores(exomarketing) e das pessoas que estão dentro e fora dela (psicologia comportamental). Nesse sentido teremos mais instrumentos para tentar melhorar a percepção das pessoas e melhorando-a, influir na melhora dos resultados.

O marketinglogia ou psicomarketing é uma visão sistêmica de trabalhar o ser-humano na sua inteireza e complexidade. Penetrar no recôndito da alma (soul) e fazer uma análise do indivíduo e do grupo que o permeia.

Uma não deve se desprender da outra, uma complementa e realimenta a outra de maneira que o marketing necessite dos conhecimentos da psicologia e vice-versa. É como se fosse um moto-contínuo de conhecimento em que uma utilizasse e se reafirmasse na outra....


Para o homem de marketing, que no Brasil chamam de “ marketeiro” é importante conhecer o indivíduo na sua condição única e também no seu comportamento quando em grupo. Para o homem de psicologia é importante conhecer o mercado, saber como ele atua e poder interpretar sua influência no indivíduo e nos grupos.

Juntos esses dois conhecimentos poderiam ajudar na melhoria da interpretação e também da atuação dos indivíduos e dos grupos. Na interpretação dos mercados é necessário utilizar a racionalidade dos números e também a intuição subjetiva.

Existe uma simbiose entre esses conhecimentos que pode propiciar uma melhoria e desenvolvimento interativo entre elas. Marketing e psicologia juntas podem quebrar paradigmas e mostrar novos rumos, novas visões e também demonstrar uma nova realidade.


Para isso é necessário ousar, pensar diferente e tentar decifrar este enigma. É como se fosse a fênix dizendo decifra-me ou devoro-te. No marketinglogia ou psiomarketing poderíamos dizer: “Mercadolize-se ou Psicografe-me”.




Bibliografia:

Kotler, Philip. 1931.
Marketing management: analysis, planning, implementation, and control. New Jersey: Prentice-Hall,Inc.,1988.p.32

Robbins, Stephen P.
Organizational Behavior, 1998
Prentice Hall, Inc.

Jung, Carl Gustav : A Biography
Copyrigh Frank McLynn, 1996
Transword Publishers Ltd., London

Jung, Carl Gustav: Memories, Dreams, Reflections
by Random House, Inc.

Kotler, Philip
Marketing para o século XXI : como criar, conquistar e dominar mercados: Futura, 1999

 
Outras Informações: Prof. Dr. Robson Paniago
E-mail: robsonpaniago@hotmail.com
Sites: www.robsonpaniago.com.br ou www.robsonpaniago.adm.br

Doutor em Ciências Empresariais – UMSA – Argentina, Mestre em Administração –PUC/SP, Especialista emMarketing – ESPM/SP e Graduado em Administração – Univ. São Marcos. Diretor da JPC Consultoria, Escritor, Palestrante e Consultor. Autor dos livros: Administração & Poesia – O Elo entre a Ciência, a Arte e a Literatura (2002) e TGA – Made in Brazil (2006).
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